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Tema

Educação Motora e Motricidade

Disciplina

Psicomotricidade, Jogos e Recreação

Psicomotricidade, Jogos e Recreação

Educação Motora e Motricidade

Este material é compatível com computadores, tablets e smartphones.

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Introdução

Este tema tem por objetivo ampliar o conhecimento sobre aspectos fundamentais do tema a educação motora e a motricidade. Quando nos referimos a esses aspectos, sabemos que são fundamentais, tendo em vista os fatores que impulsionam a necessidade dos educadores da educação infantil a refletirem e estudarem sobre a importância e as funções das atividades motoras para o crescimento e o desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos, destacando os conceitos, as fases do desenvolvimento motor, os fatores que afetam o comportamento motor e as possíveis intervenções motoras, considerando as fases de desenvolvimento motor.

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Assista ao primeiro vídeo e veja que os conceitos apresentados, construídos historicamente por pesquisadores da área, não se caracterizam como imutáveis ou inquestionáveis, mas como conhecimentos que foram estabelecidos por meio de muita leitura, prática e experiências que nos possibilitam esse debate.

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Problematização

A crescente transformação dos espaços urbanos provoca alterações no modo de vida das famílias nas casas e nos apartamentos minúsculos, com a ausência de quintais. As ruas e as praças tornaram-se perigosos para a convivência infantil, o que aumenta o ingresso cada vez mais precoce de crianças de diversos grupos sociais nas instituições de educação infantil. Assista ao vídeo e veja em que tudo isso acarreta. Depois, reflita durante seus estudos sobre a interação e a interlocução com a criança e sua cultura infantil.

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Motricidade e aprendizagem na educação infantil

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Neste tema, cabe refletir sobre a motricidade humana na educação infantil. A proposta é partir da fundamentação, destacando os conceitos, de modo a compreender a importância dessa ciência no processo de aprendizagem.

Começamos por entender a motricidade como:

Compreendida assim, entendemos que a motricidade estuda os movimentos, ajuda nas tomadas de decisão e na maneira como são desenvolvidos os movimentos.

“Forma concreta de relação do ser humano com o mundo e com seus semelhantes, relação está caracterizada por intencionalidade e significado, fruta de um processo evolutivo, cuja especificidade encontra-se nos processos semióticos da consciência, os quais, por sua vez, decorrem das relações recíprocas entre natureza e cultura – portanto, entre as heranças biológica e sócio-histórica. A motricidade refere-se, portanto, a sensações conscientes do ser humano em movimento intencional e significativo no espaço-tempo objetivo e representado, envolvendo percepção, memória, projeção, afetividade, emoção, raciocínio. Evidencia-se em diferentes formas de expressão – gestual, verbal, cênica, plástica etc. A motricidade configura-se como processo, cuja constituição envolve a construção do movimento intencional a partir do reflexo, da reação mediada por representações a partir da reação imediata, das ações planejadas a partir das simples respostas a estímulos externos, da criação de novas formas de interação a partir da reprodução de padrões aprendidos, da ação contextualizada na história – portanto, relacionada ao passado vivido e ao futuro projetado – a partir da ação limitada às contingências presentes. Esse processo ocorre, de forma dialética, nos planos filogenético e ontogenético, expressando e compondo a totalidade das múltiplas e complexas determinações da contínua construção do homem.” (KOLYNIAK FILHO, 2002, p. 31-32).

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Na execução dos movimentos, é proporcionada a adaptação ao ambiente, o que nos mostra que nossa atenção se concentra mais nas ações que fazemos do que nos movimentos propriamente ditos, pois é por meio do movimento que inicia o conhecimento de si próprio, dos outros e dos objetos. O movimento favorece a comunicação, a relação com tudo o que nos rodeia. Pelas adaptações, vamos adquirindo informações simples a complexas de forma variada e progressivamente até atingir os movimentos mais elaborados.

Para Kolyniak Filho (2007), a motricidade é inerente ao ser humano, pela sua intencionalidade e seu efeito. A motricidade é concomitante com as capacidades e as habilidades motoras resultantes de sua aprendizagem, com possibilidades e limitações de cada pessoa.

Nesse contexto, cabe refletir sobre a relação da motricidade com a aprendizagem por serem inseparáveis. A aprendizagem na motricidade se processa por meio de inúmeras habilidades motoras que pode acontecer no convívio com a família, os educadores, a mídia, os livros etc.

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Sendo assim, a motricidade acontece nos processos da aprendizagem. O autor Kolyniak Filho (2010) apresenta, em seus estudos, a motricidade como produtora de possibilidades de aprendizagem.

Entendida como produto e produtora de processos e experiências de aprendizagens, a motricidade representa um aspecto da construção do ser humano que deve interessar à escola – instituição centrada na promoção sistematizada de processos e experiências de aprendizagem.

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No entanto, ainda temos muita influência da Pedagogia tradicional que possui uma visão dualista do ser humano – corpo e mente. Nessa concepção, os educadores trabalham restringindo a movimentação da criança, às vezes de forma rigorosa, exigindo um excesso de disciplina e, em outras vezes, permitindo uma movimentação vigorosa para deixá-los mais calmos para as atividades do soninho ou as atividades intelectuais.

Nessa concepção, ainda encontramos a falta de consideração com a cultura infantil, comparando o tempo dedicado a essa cultura, considerando a criança na sua totalidade, não apenas em uma visão dualista.

Atenção!

É necessário incluir nas pautas de planejamento a importância da inclusão da motricidade na construção da aprendizagem.

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Para La Taille, Oliveira e Dantas (1992), a motricidade foi para Henri Wallon o grande eixo de seus estudos, nos quais ele aponta que o ato mental se desenvolve a partir do ato motor e que, ao longo do desenvolvimento mental, a motricidade tende a reduzir, dando lugar ao ato mental, mas, mesmo assim, a musculatura permanece em atividade tônica.

O movimento a princípio, desencadeia o pensamento. As autoras exemplificam:

Ao nascer, é pela expressividade ou mímica que ser humano atua sobre o outro. A motricidade disponível consiste em reflexos e movimentos impulsivos e coordenados. [...] uma criança de dois anos, que fala e gesticula, tem seu fluxo mental atrofiada se imobilizada.

(LA TAILLE, OLIVEIRA e DANTAS, 1992).
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Fica evidente nos estudos de Wallon que não se separa a motricidade dos processos cognitivos. Fonseca (1995), também em estudos mais recentes, estabelece a relação entre o desenvolvimento psicomotor e as funções do cérebro.

De posse do conhecimento, percebe-se a estreita relação entre motricidade e aprendizagem, o que motiva a necessidade de incluir nas propostas pedagógicas a motricidade e, também, que os educadores incluam a motricidade em suas estratégias de ensino, evitando restringir o movimento em relação à inteligência.

A prática da motricidade prepara o sistema nervoso como um todo para desempenhar todas as funções exigidas para um desenvolvimento adequado e harmonioso. Acesse e leia o artigo de Manuel Sérgio, que fala da motricidade humana.

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Neste vídeo, a professora vai ajudá-lo a compreender melhor a motricidade, falando de sua especificidade e da sua relação com a aprendizagem.

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Movimento corporal, unidades funcionais do cérebro e fatores psicomotores

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Todos nós conhecemos ou temos a ideia de como é uma criança, que culturalmente nos remete à alegria e à espontaneidade, movidas pelas atividades motoras e fantasias, arrastando-se, engatinhando, ficando em pé e se aventurando no andar em busca de uma fantasia.

O movimento é um aliado da criança, pois permite, desde o seu nascimento, viver, relacionar-se com a família, explorar o ambiente, conhecer-se, experimentar as suas potencialidades e os seus limites e se arriscar constantemente a fim de ultrapassá-los.

O movimento, ainda, favorece a expressão de emoções, sentimentos e pensamentos. Queirós (2000) diz que “a criança, ao expressar diferentes formas de movimentos e atividades, progressivamente afirma-se como pessoa, obtendo maior confiança, independência, autonomia e expressividade”.

Como podemos ver, por meio das experiências corporais, a criança organiza sua personalidade e seu corpo; nessa perspectiva, passa ser o instrumento de construção, relação e integração.

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Dessa forma, percebe-se que o movimento vai além de uma simples locomoção, por se tratar de uma manifestação corporal, envolvendo expressão, sentimento, emoções e pensamentos. O desenvolvimento infantil, de acordo com Ischkanian (2016), processa-se nos âmbitos da corporeidade, do desenvolvimento cognitivo, da afetividade e da socialização.

Vejamos o que significa cada um deles.

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É a percepção que temos do corpo e como percebemos o corpo; é dependente das relações sociais, agregada à cognição, à afetividade e ao movimento.

O corpo é o instrumento das relações com o “eu”, com o outro e com o ambiente – é a identidade corporal. O educador, por meio da corporeidade infantil, pode perceber o comportamento expressivo e de relação e, por sua vez, cria condições favoráveis de atuar com a criança.

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O desenvolvimento cognitivo só é pleno quando os aspectos afetivos, sociais e psicomotores estão integrados de forma a possibilitar as descobertas divertidas com vínculos no seu ambiente. Não tem como falar de desenvolvimento cognitivo sem passar pelas teorias psicogenéticas de Piaget, Vigotski e Wallon. La Taylle, Oliveira e Dantas (1992) apresentam a teoria desses três pensadores:

A visão dos três teóricos sobre os alunos é de participantes do processo de construção e do conhecimento.

Para Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo se processa em estágio hierárquico desde o seu nascimento e o conhecimento se dá na interação da criança com o meio. Ao educador, cabe “desequilibrar” os esquemas dos alunos a partir de seus conhecimentos.

Para Vygotski, a cognição se dá a partir de um processo de apropriação da experiência histórico-cultural: o professor é mediador, sua ação deve acontecer dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Ele deve conhecer os saberes previamente para agir.

Wallon acredita que o desenvolvimento cognitivo e afetivo se dá a partir do potencial genético e de fatores ambientais, por meio de estágios. Ao professor, cabe considerar a história do aluno, as demandas e as perspectivas.

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Para compreender e educar o ser humano, é fundamental considerar os afetos, pois é um aspecto importante no desenvolvimento e na orientação de comportamento. A afetividade exerce influência na percepção, na memória e no pensamento, contribuindo com o bem-estar e a harmonia.

O estudioso Wallon debruçou-se sobre essa questão, rompendo com questões valorativas e concebendo as emoções como fenômeno psíquico e social, além de orgânico. Para ele, ao educador, cabe conhecer a criança nas suas relações afetivas e emocionais.

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É quando o sujeito se torna integrante de uma comunidade, incorporando a cultura que lhe é própria. Esse processo é contínuo e inicia pela imitação e da sequência na vida toda, por meio da comunicação verbal e não verbal. Essa sociabilização vai aumentando, passando do ambiente familiar para as relações e ao meio externo.

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Após ter descrito os âmbitos que envolvem o movimento no desenvolvimento infantil, cabe apresentar de forma sucinta os fatores psicomotores que envolvem as estruturas funcionais. Alexander Romanovich Luria, em 1981, apresentou as três unidades funcionais do cérebro onde as funções psicomotoras se localizam de forma dinâmica e onde a cognição é consequência de uma ação simultânea:

  • 1. Primeira unidade funcional
    Compreende o tronco cerebral responsável pelo tônus muscular.
  • 2. Segunda unidade funcional
    Compreende as áreas corticais dos lobos occiptal, temporal e parietal e responde pela recepção, pela análise e pelo armazenamento de informações exteriores (visão, audição, tato, olfato e gustação) e interior (informações provenientes dos músculos).
  • 3. Terceira unidade funcional
    Envolve o córtex do lobo frontal, responsável pela atividade intencional deliberada, envolvendo a movimentação com objetivos específicos.
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Fonseca (1995), baseado nos estudos de Luria, associa as estruturas funcionais aos fatores psicomotores. Acompanhe a seguir.

Primeira unidade

  • Tonicidade – estado de tensão e contração muscular, possibilita o acionamento de um músculo;
  • Equilibração – capacidade de manutenção da postura na imobilidade e em deslocamento.
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Segunda unidade

  • Lateralidade – integração entre os dois lados do corpo, provenientes de sensações e emissão de respostas motoras;
  • Noção de corpo – tomada de consciência do corpo a partir do próprio corpo (tônus muscular, sensação de movimento, reflexos, sensação de dor, calor, prazer etc.), contato com o meio (impressões táteis e visual). Integra afetos e conceitos influenciados pelas interações sociais e pela linguagem;
  • Estruturação espaço/tempo – permite a movimentação do corpo em diferentes tempos, possibilita a relação do corpo com o ambiente em movimentos e locomoção, estrutura o ritmo do movimento, ajusta a posição, o trajeto e a velocidade do corpo.
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Terceira unidade

  • Coordenação ampla – possibilita os movimentos amplos com todo o corpo separadamente ou simultaneamente e, ainda, os movimentos podem ser estáticos ou dinâmicos;
  • Coordenação motora fina – possibilita o movimento dos pequenos grupos musculares, mãos, pés e rosto, aliados à coordenação visomotora de forma implícita.
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Por meio das relações das unidades e dos fatores psicomotores tratados por Fonseca (1995), pode-se dizer que a criança, ao apreender e praticar as diversas habilidades motoras, exercita os fatores psicomotores relacionados às estruturas funcionais de forma mais geral (memorização, concentração, imaginação, formação de conceito etc.).

A partir das referências citadas aponta-se uma grande influência do movimento no processo de aprendizagem da criança.

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Veja, no vídeo da professora, mais detalhes sobre os âmbitos que envolve o movimento – a corporeidade, a cognição, a afetividade e a sociabilização.

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Desenvolvimento motor

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O desenvolvimento humano ocorre durante a vida toda, desde o nascimento até a morte, e esse processo também sofre regressões. Não podemos apenas levar em conta fatores biológicos para que ocorra o desenvolvimento; leva-se em conta, de forma integrada, também os fatores cognitivos, relacionais, afetivos, emocionais e sociais. Por isso, devemos observar o desenvolvimento motor desde as simples tarefas executadas pelas crianças.

Antes da década de 1960, o desenvolvimento era observado apenas pelos fatores biológicos, não eram considerados os fatores do ambiente e as demais tarefas. Cannoly (2000) aponta que, por volta de 1960, os estudos sobre o desenvolminto motor tomaram rumos diferentes e a questão principal passou a ser como se processa o desenvolvimento motor, não o que se processa. Isso não interessava mais, apenas os resultados. Cannoly (2000) acredita que saímos das questões “o quê?” e “quando?” para as questões “como a criança faz?” e “quais são os processos de mudanças?”.

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Essas questões revolucionaram os estudos do desenvolvimento motor, e os estudiosos buscaram novos entendimentos sobre o ser humano em todas as fases da vida, considerando as inter-relações, o ambiente, as dificuldades e as restrições de padrões motores.

Seguindo essa linha, vamos nos apoiar nos estudos de David Gallahue – doutor em desenvolvimento humano e educação especial e autor de obras que estudam especificamente o tema proposto – para descrever as questões que envolvem o desenvolvimento motor desde o seu conceito, as fases e os estágios, com o objetivo de demonstrar que, para acontecer o desenvolvimento motor, não se pode deixar de lado os fatores da hereditariedade e do ambiente.

Gallarue (2000) conceitua o desenvolvimento motor como uma “mudança nas capacidades motoras de um indivíduo, que são desencadeadas através da interação desse indivíduo com seu ambiente e com a tarefa praticada por ele”. Mas essas capacidades são compreendidas nas fases do desenvolvimento humano e com mudanças esperadas em determinada faixa etária.

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Essa discussão passa por diferentes autores desde 1985: McClenaghan e Gallahue (1985), Gallahue e Ozmun (2001), Haywood e Getchel (2004, 2010), que sugeriram fases e estágios de desenvolvimento.

A proposta Gallahue e Ozmun (2001, p.100) apresenta as seguintes fases:

Fase motora reflexa – da vida intrauterina até os 4 primeiros meses de nascimento

Movimentos involuntários: começam no ventre da mãe e são bases para o desenvolvimento motor;

Reflexo primitivos: alimentação, informações e reações defensivas;

Reflexos posturais: mecanismo de estabilização, locomoção e manipulação.

Fase movimentos rudimentares – 0 a 2 anos

Aparecem os primeiros movimentos voluntários, apesar de imperfeitos e descontrolados, mas importantes para obter movimentos mais complexos;

Essa fase depende dos fatores biológicos, ambientais e da tarefa;

Precisa controlar a cabeça, o pescoço e os músculos do troco para que possa se arrastar, engatinhar e caminhar, pegar e soltar;

Essa fase se divide em dois estágios: de inibição de reflexos e de pré-controle.

Fase movimentos fundamentais – 2 a 7 anos

Os movimentos são produzidos a partir dos movimentos rudimentares;

As crianças formam, exploram e experimentam suas capacidades motoras, que são básicas para qualquer outra combinação de movimentos;

Segundo Gallahue e Ozmun (2001), esse período é fundamental para formação da criança. Essa fase é dividida em três estágios:

• Estágio inicial – é o período das tentativas para o desempenho das habilidades fundamentais

• Estágio elementar – crianças de 3 a 4 anos que passam a demonstrar inúmeros elementos do movimento, ainda rudimentares e nada refinados

• Estágio maduro – crianças de 5 a 6 anos, quando as habilidades motoras já estão coordenadas e controladas; no entanto, é um período que exige muito do educador, para que ocorra a aprendizagem por meio de práticas pedagógicas criativas, participativas e envolventes.

Fase movimentos especializados – 7 a 14 anos

Fase dos refinamentos e das habilidades motoras, passando a combiná-las com as atividades do cotidiano.

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Gallahue e Azmun (2001, p.100) demonstram, por meio de uma figura representativa (ampulheta), as fases do desenvolvimento motor de acordo com cada estágio da vida, a figura apenas representa um modelo conceitual.

Fases do desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue e Ozmun (2001, p. 100)

Fases do desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue e Ozmun (2001, p. 100)

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Os autores reforçam que o desenvolvimento motor é influenciado pelos fatores hereditários e pelas experiências do meio em que vivem, o que contribui com a apropriação dos movimentos e do controle de competências motoras observados na figura a seguir.

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Santa Clara e Finck (2015), analisando os estudos de Gallarue e Ozmun (2001), apontam que:

O aparecimento do desenvolvimento das habilidades na fase de movimentos especializados depende de muitos fatores que contribuem com a experiência no meio, como por exemplo, com o desenvolvimento de habilidades das quais a criança se apropria. Evidenciando que em algum momento a ampulheta inverte-se, a época em que isto acontece varia dependendo mais de fatores sociais e culturais do que físicos e mecânicos. Para a maioria dos indivíduos, a ampulheta inverte-se e a ‘areia’ começa a escorrer no final da adolescência e no início dos vinte anos, pois neste período os adultos ingressam no mundo do trabalho, assim as restrições de tempo limitam a busca de novas habilidades motoras e a conservação de habilidades dominadas na infância e na adolescência.

(SANTA CLARA e FINCK, 2015).
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De posse desses estudos, fica explícito que o movimento é importante para a evolução do ser humano nas questões biológicas, psicológicas, culturais e sociais. Pode-se dizer que o ser humano interage em busca de suas necessidades. Esse estudo também contribui para o entendimento e a necessidade de práticas pedagógicas corporais na educação infantil.

O artigo disponibilizado a seguir fala, ainda, sobre o desenvolvimento motor. Leia e entenda melhor esse fenômeno.

O próximo artigo, da Revista Espacios, trata das relações entre o corpo em movimento e o conhecimento na prática pedagógica das professoras da educação infantil. Confira!

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Acesse, também, os vídeos a seguir, que mostram a fase motora reflexiva e a fase de aprendizagem motora, com reflexos primitivos, locomotores e movimentos rudimentares.

Veja, ainda, o que a professora tem a falar sobre o termo “desenvolvimento motor” por meio do vídeo a seguir. Ela vai falar, também sobre as fases desse desenvolvimento. Não perca!

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Aprendizagem motora

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A fase mais importante do desenvolvimento motor acontece no período que compreende a educação infantil e isso indica a necessidade de os educadores estarem preparados para as questões teórico-práticas e ter conhecimento para estabelecer atividades adequadas e eficazes, a fim de que ocorra o desenvolvimento por meio de avaliações sistemáticas.

Importante!

Nota-se a importância de entender como se processa a aprendizagem motora na educação infantil, assim como questões básicas do movimento, caracterizadas pelas habilidades de:

• Manipulação (pegar, soltar, empurrar etc.);

• Locomoção (arrastar, engatinhar, andar, correr, saltar, saltitar etc.)

• Equilíbrio (estático e dinâmico).

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Esses movimentos básicos aperfeiçoam os movimentos futuros na realização de tarefas especializadas. A aplicação dessas habilidades pode propiciar o desenvolvimento, mas o educador, ao propor as atividades, deve estar atento ao meio ambiente, verificando as disponibilidades e as condições para incrementar sua proposta, além de observar o nível de desenvolvimento em que a criança se encontra (inibição, pré-controle, inicial, elementar ou maduro), para sua efetiva segurança e para ajudar na seleção de métodos de trabalho (MAGILL, 2000).

Considerando isso, observa-se a importância de conhecer a aprendizagem motora que corresponde à mudança que ocorre internamente no sujeito e produz melhoria no seu desempenho motor a partir de uma prática. Isso sugere, ainda, que é na aprendizagem motora que se adquire as habilidades por meio de movimentos voluntários do corpo e/ou membros para atingir as metas.

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Ainda para Magill (2000), as habilidades motoras se classificam quanto a:

1. Dimensão da musculatura

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2. Caracterização do movimento – serve para distinguir o movimento

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3. Estabilidade do ambiente em que as habilidades são executadas; a habilidade pode ser classificada de maneira diferente, pois depende da situação em que ocorre

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Mediante o exposto, entendemos que a aprendizagem motora é o meio de aquisição de habilidade motora, que possibilita a capacidade de planejar e executar os movimentos, com o intuito de se atingir os objetivos, envolvendo e respeitando as diversas etapas do desenvolvimento da criança, considerando que as habilidades motoras desenvolvem e ampliam as possibilidades da criança ter um envolvimento maior com seu corpo, tornando-a mais apta no desenvolvimento das tarefas do seu dia a dia.

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Quer saber mais sobre as habilidades motoras? Assista ao vídeo e veja como se desenvolvem a manipulação, a locomoção e o equilíbrio.

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As aquisições de habilidades motoras variam de acordo com a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Vejamos, agora, como se enquadram essas habilidades na fase de desenvolvimento, segundo Gallahue e Ozmun (2013).

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• Fase motora reflexiva

É a fase do reflexo, que é a reação automática do corpo a partir de estímulos. Reflexo do andar, da sucção, da preensão palmar, de moro, de Galant, de tonicidade.

• Fase motora rudimentar (4 meses a 2 anos)

Movimentos estabilizadores (controle da cabeça, controle do tronco, senta, fica em pé); movimentos locomotores (arrasta-se, engatinha, anda); movimentos manipulativos (alcança, segura, solta).

• Fase motora fundamental (final dos 2 anos)

A criança já deve dominar as habilidades motoras rudimentares, que servirão de base para as etapas seguintes da fase motora fundamental.

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Clique e acesse a tabela com a faixa etária e os fatores psicomotores correspondentes a cada idade:

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Síntese

Ampliar o conhecimento sobre os aspectos motores foi a intenção deste tema. Primeiramente, apresentamos a motricidade como sensações conscientes do ser humano em movimento intencional e significativo no espaço-tempo, envolvendo percepção, memória, projeção, afetividade, emoção, raciocínio.

Em seguida, buscamos apoio em autores da área para entender o desenvolvimento motor da criança e as possibilidades de mudança nas capacidades motoras, que são desencadeadas por meio da interação da criança com seu ambiente e com a tarefa praticada por ele.

Por último, abordamos a aprendizagem motora e a aplicação nas fases do desenvolvimento, com a intenção de conhecer o corpo em movimento e, também, conhecer as etapas do desenvolvimento motor da criança.

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No último vídeo, a professora vai relembrar como destacamos os conceitos, as fases e os fatores que afetam o comportamento motor e as intervenções motoras.

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Referências

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CONNOLLY, K. Desenvolvimento Motor: Passado, Presente e Futuro. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, sup.3, p. 6-15, 2000.

FILHO KOLYNIAK, C. Motricidade e aprendizagem: algumas implicações para educação escolar. Revista Construção Pedagógica, São Paulo, 2010, v. 18, n. 17, p. 53-66.

FONSECA, V. da. Manual de Observação psicomotora: Significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

GALLAHUE, D. L. Educação física desenvolvimentista. Cinergis, Santa Cruz do Sul, UNISC, v. 1, n. 1, p. 7-17, 2000.

GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

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KRUSZIELSK, L. Teoria do Sistema Funcional. disponível em: http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/301895/mod_resource/content/1/Teoria_do_Sistema_Funcional_texto_LEANDRO[1].pdf. Acesso em: 16 mar. 2016.

LA TAILLE, Y. de; OLIVEIRA, M. K. de; DANTAS, H. Piaget, Vygotski, Wallon – Teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 2000.

QUEIRÓS, I. L. V. B. G. Reflexões sobre a educação motora na educação infantil. Caderno de Educação Física, Mal. Cândido Rondon, Paraná. v. 2, n. 1, p. 107-116, 2000.

SANTA CLARA, C. A. W. de; FINCK, S. C. M. As relações entre o corpo em movimento e conhecimento na prática pedagógica das professoras da educação infantil. Revista Espacio. v. 36, n. 12.

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