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Instrumentos Para O Diagnóstico Psicopedagógico Clínico
Profª. Luciana Isabel de Almeida Trad
aula 02
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Material didático institucional
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Plano de Ensino
Identificar métodos, técnicas e testes como recursos auxiliares para avaliação diagnóstica. Conhecer e entender os diferentes instrumentos para diagnóstico psicopedagógico. Registrar as ações e desempenho do indivíduo durante a avaliação. Analisar as possibilidades de intervenção e encaminhamentos necessários. Conscientizar-se da responsabilidade da aplicação dos instrumentos de avaliação.
Conversa Inicial
Quando iniciamos um processo de avaliação, precisamos estabelecer nosso método de trabalho, conhecer, dominar e organizar os instrumentos que serão utilizados.
Nas sessões iniciais, com objetivo exploratório, buscaremos compreender a queixa apresentada, assim como conhecer o histórico de desenvolvimento, clínico, familiar, acadêmico e social do indivíduo avaliado.
Nesta aula, estudaremos os seguintes instrumentos de avaliação: sequência diagnóstica; entrevista inicial; anamnese; EOCA – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem; hora do jogo.
Para saber mais sobre o conteúdo desta aula, assista ao vídeo a seguir.
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Tema 01 – Sequência Diagnóstica
De acordo com Weiss (2006), a sequência diagnóstica poderá ser estabelecida conforme a necessidade de cada caso, tendo em vista que o diagnóstico psicopedagógico é composto de momentos que, espacial e temporalmente, apresentam dimensões diferentes.
- 1. Entrevista familiar exploratória; 2. Entrevista de anamnese; 3. Sessões lúdicas centradas na aprendizagem; 4. Complementação com provas e testes; 5. Síntese diagnóstica – Prognóstico; 6. Entrevista de devolução e encaminhamento.
- Baseado na Clínica de psicologia e transposta para Psicopedagogia: 1. Anamnese; 2. Testagem e provas pedagógicas; 3. Laudo; 4. Devolução.
- Baseado na Epistemologia Convergente: 1. EOCA; 2. Testes; 3. Anamnese; 4. Informe Psicopedagógico; 5. Devolutiva.
A avaliação diagnóstica requer cuidados, como o preparo do ambiente, rapport entre avaliador e avaliando e aptidão do avaliador ao aplicar os instrumentos.
Para saber mais sobre sequência diagnóstica, assista ao vídeo a seguir.
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Tema 02 – Entrevista Inicial Exploratória
O primeiro contato entre terapeuta e avaliando e/ou família se dá na entrevista inicial, quando a queixa/problemática é apresentada. Esse momento de "escuta" deve ser planejado previamente, com questões exploratórias acerca da queixa, utilizando-se uma entrevista semiestruturada, porém, não se prendendo a ela.
Segundo Chamat (2004), a entrevista inicial exploratória deve contemplar os seguintes aspectos: história da queixa, quando começou o problema e quais fatos podem estar associados ao problema; atitudes da família e da escola diante da situação da queixa, como a família e a escola reagem diante de tal situação; compreensão da rotina diária do indivíduo avaliado, sobre a realização de tarefas na escola e em casa; sintomas relacionados à queixa, tanto para o indivíduo como para a família; comprometimento familiar relacionado à problemática; expectativas da família em relação ao diagnóstico e o agente corretor; enquadramento.
Para saber mais sobre a entrevista inicial exploratória, assista ao vídeo a seguir.
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Tema 03 – Anamnese
A entrevista de anamnese é considerada um instrumento de extrema relevância para uma avaliação diagnóstica, pois tem como objetivo levantar dados sobre a evolução do indivíduo durante o seu desenvolvimento. Portanto, quanto mais detalhada a entrevista, melhor será a coleta de informações.
A anamnese deve conter o histórico de evolução geral: concepção (desejado ou acidental), gestação, nascimento (com ou sem intercorrências); desenvolvimento neuropsicomotor, quando iniciou a andar, aquisição da fala, controle dos esfíncteres, alimentação, sono, sexualidade etc.; história clínica, doenças na infância, lesões, cirurgias; história familiar, fatos marcantes (nascimentos, mortes, separações, mudanças etc.); histórico escolar, sobre a alfabetização, vínculo com a aprendizagem e metodologia escolar, atividades extracurriculares; vínculos relacionais em casa, no ambiente escolar e social (Weiss, 2006; Rotta et al., 2006).
Para saber mais sobre a entrevista de anamnese, assista ao vídeo a seguir.
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Tema 04 – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA
Por meio da entrevista operativa centrada na aprendizagem – EOCA, o psicopedagogo poderá investigar o modelo de aprendizagem do avaliando. Os pontos importantes a serem observados são "(...) seus conhecimentos, atitudes, destrezas, mecanismos de defesa, ansiedades, áreas de expressão da conduta, níveis de operatividade, mobilidade horizontal e vertical etc." (Visca, 1978, p. 73).
Três aspectos fornecerão um sistema de hipóteses sobre o sujeito: a temática é tudo o que o sujeito diz, tendo sempre um aspecto manifesto e outro latente; a dinâmica é tudo aquilo que o sujeito faz: gestos, tons de voz, postura corporal, maneira de pegar os materiais, sentar-se etc.; o produto é o que o sujeito realizou e deixou registrado (Chamat, 2006; Sampaio, 2014).
O instrumento consiste em solicitar ao sujeito que mostre o que sabe fazer (o que lhe ensinaram e o que aprendeu a fazer), com material disposto sobre a mesa, com base em consignas.
Para saber mais sobre a EOCA, assista ao vídeo a seguir.
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Tema 05 – Hora do Jogo
A técnica hora do jogo é uma atividade lúdica utilizada em avaliação diagnóstica para observar dificuldades de aprendizagem e que dá "informações sobre os esquemas que organizam e integram o conhecimento em um nível representativo" (Pain, 1992, p. 50).
Os objetivos são: verificar na criança a inter-relação que ela estabelece com o desconhecido e o tipo de obstáculo que emerge dessa relação; possibilitar uma leitura dos aspectos relacionados à função semiótica da criança, por meio de símbolos, e verificar o nível dos processos acomodativos e assimilativos; fazer a leitura dos conteúdos manifestos pela criança, em relação aos aspectos afetivos-emocionais, relacionados com a aprendizagem (Chamat, 2004, p. 99).
Como material, é possível utilizar a caixa lúdica – consigna apresentada. O jogo pode ser realizado no momento do inventário, organização e integração.
Para saber mais sobre a técnica hora do jogo, assista ao vídeo a seguir.
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Na Prática
Nas primeiras sessões, os instrumentos de avaliação servirão para explorar a queixa apresentada e conhecer a dinâmica do indivíduo e da família em relação ao problema apresentado (entrevista inicial).
Conhecer o histórico de desenvolvimento clínico, familiar e acadêmico é o objetivo da Anamnese. Por meio de uma proposta lúdica, é possível delinear o modelo de aprendizagem (EOCA e hora do jogo).
Lembre-se que o conhecimento dos instrumentos e domínio da aplicação, rapport e ambiente adequados são fundamentais para o bom encaminhamento durante as sessões clínicas.
Saiba mais sobre este conteúdo assistindo ao vídeo a seguir.
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Finalizando
Nesta aula, estudamos os instrumentos para sessões iniciais: entrevista inicial (exploração da queixa), anamnese (histórico do desenvolvimento clínico, familiar e acadêmico), EOCA (entrevista operativa centrada na aprendizagem) e hora do jogo. A sequência diagnóstica deverá ser definida conforme a necessidade do caso.
Saiba mais sobre o conteúdo desta aula assistindo ao vídeo a seguir.
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Referências
CHAMAT, L. S. J. Técnicas de diagnóstico psicopedagógico: o diagnóstico clínico na abordagem interacionista. São Paulo: Vetor, 2004.
SAMPAIO, S. Manual prático do diagnóstico psicopedagógico clínico. 5. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2014.
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
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